Resumo Completo: Ação Humana | Ludwig von Mises

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Tempo de leitura: 15 minutos

Ação Humana, de Ludwig Von Mises, é considerado por muitos como a bíblia da Economia, sendo o melhor e mais completo texto sobre Economia que se pode achar. O presente resumo pretende facilitar seu acesso a esse conteúdo que, para muitos, é inacessível. 

São mais de mil páginas no conteúdo original, o que assusta muitas pessoas. O livro original, pelas métricas de leitura, exige de 35 a 40 horas de leitura (sem contar se você for leigo e precisar de mais tempo pra absorver). Como pode ter percebido acima, reduzi isso para algumas poucas horas.

Antes dos capítulos, também têm o resumo do resumo. Você definitivamente não tem desculpas para não ter acesso ao conteúdo do livro. Como o slogan do site diz: espero que eu possa ser seu pontappé inicial.

Nota do autor:

Recomendo abordar esta análise despido de conceitos prévios. Minha metodologia de resumo busca mimetizar a voz do autor: eu escrevo como se fosse o próprio autor, mergulhando em sua lógica e defendendo seus pontos de vista para que você compreenda.

 

É importante ressaltar que as afirmações contidas no texto refletem o pensamento do autor e não necessariamente as minhas opiniões pessoais ou convicções ideológicas.

  • Se você já conhece esta linha de pensamento: Desafio-o a ler com criticidade, sem concordar automaticamente com cada linha, evitando o fanatismo.

  • Se você discorda destas ideias: Convido-o a suspender o julgamento imediato para absorver a estrutura lógica proposta.

O objetivo aqui não é converter ou convencer, mas oferecer um material denso para que você teça suas próprias conclusões.

O Agente Homem

Ação propositada e reação animal

O contentamento ou a satisfação é a condição em que o ser humano não age. Quando há desconforto, o homem faz algo que o possibilite, pela imagem, encontrar uma situação melhor. Ele troca uma situação menos satisfatória por uma mais satisfatória. Um ser que estivesse em perfeita satisfação não agiria e, portanto, viveria aos prazeres. Um bebê, por exemplo, não age, pois carece de percepções de sua realidade para que queira melhorar sua situação.  

A percepção de seu desconforto e sua imagem de uma vida melhor não fazem, por si só, o homem agir. Para isso, ele tem que ter a expectativa de que suas ações vão melhorar seu estado de pior para melhor. Ele tem que ter expectativas de que não será lesado no ato. Na ausência dessa expectativa, ele vagará em conformidade com o inevitável e aceitará sua sina. 

Sobre a felicidade

Não existe uma definição clara e precisa sobre o que é felicidade. É certo que o agente homem age por incentivo de um desconforto e a intenção de satisfazer suas vontades e, portanto, sair da situação de desconforto. Podemos dizer que uma pessoa pode estar mais ou menos feliz do que antes, tendo em vista que ela se satisfaz mais ou menos quanto mais ou menos se afasta de um desconforto.  

Uma pessoa pode ser feliz fazendo muto sexo, comendo, bebendo e comprando novas casas e carros; outra pode achar isso efêmero e não causador de felicidade; alguns podem achar que a felicidade é ser um bom profissional; ser alguém que ajude as pessoas próximas a ele; até mesmo podem classificar a felicidade como o entendimento de quem ele é no mundo e sair do mar de incertezas da vida. Não importa. A praxeologia não se importa com o que as pessoas classificam como felicidade. Suas conclusões são válidas para todos os tipos de ação. Ela é uma ciência de meios, não de fins.  

A ataraxia epicurista é aquele estado de perfeita felicidade e contentamento que toda atividade humana pretende alcançar sem nunca atingi-lo plenamente. Em face da importância desta percepção, tem pouco valor o fato de que muitos representantes dessa filosofia tenham falhado em reconhecer o caráter meramente formal das noções de “dor” e “prazer” e lhes tenham dado um significado carnal e material.

As doutrinas teológicas e místicas, bem como as de outras escolas de uma ética heteronômica, não abalaram a essência do epicurismo porque não puderam levantar outras objeções além de sua negligência em relação aos prazeres “nobres” e “elevados”. É verdade que os escritos de muitos dos primeiros defensores do eudemonismo, do hedonismo e do utilitarismo são, em muitos aspectos passíveis de mal-entendido. Mas a linguagem de filósofos modernos e, mais ainda aquela dos economistas modernos é tão precisa e direta que não deixa margem a equívocos.

Sobre instintos e impulsos

O método utilizado pela sociologia dos instintos não favorece a compreensão da ação humana. Ela atribui a cada classe um instinto específico como seu propulsor. Enquanto a praxeologia entende que a ação humana é na intenção de se afastar de um desconforto, a psicologia do instinto remeta a satisfação a impulsos instintivos. 

A diferença de um animal para um homem é que o homem é racional. Mesmo dizendo que o homem, como o animal, tem instintos, impulsos, paixões ou quaisquer que sejam as características parecidas entre os dois objetos aqui ditos, isso só define o instinto ou o impulso que os dois têm em comum.

O ser humano, diz a praxeologia, age quando racionalmente decide por ceder ou não aos instintos impulsos. Os homens não devoram tudo o que está a sua frente para saciar sua fome; não ficam nus e coabitam forçadamente qualquer mulher que achem atraente; não matam qualquer pessoa que sinta raiva. O ser humano pode ceder ou não aos instintos naturais: melhor dizendo, ele age. Mesmo quando cede aos instintos e impulsos, ele o cede racionalmente, sendo a ação instintiva uma questão de escolha. 

Ação humana como um dado irredutível

Desde os primeiros homens que buscaram descobrir verdades, dados irredutíveis existem. Podemos buscar explicações sobre fenômenos complexos, ou não, e chegarmos a explicações com alta probabilidade de exatidão; mas alguma hora, em algum ponto da análise, chegaremos ao ponto de não conseguirmos mais rastrear a origem de algum fenômeno. O Big-Bang, por exemplo, é um caso desses, ou seja, é irredutível.  

O monismo diz que existe apenas uma substancia básica; o dualismo, duas; o pluralismo, várias. Nenhuma delas importa. O monismo materialista afirma que vontades e pensamentos humanos são o produto do funcionamento dos órgãos, das células do cérebro e dos nervos. O pensamento, a vontade e a ação são produzidas apenas por processos materiais que um dia serão completamente explicados pela investigação no campo da física ou da química. 

“Julgamentos concretos de valor e ações humanas definidas não são passíveis de maiores análises. Podemos honestamente supor ou acreditar que sejam inteiramente dependentes de (ou condicionados por) suas causas. Mas, uma vez que não sabemos como fatos exteriores – físicos ou fisiológicos – produzem na mente humana pensamentos e vontades definidas que resultam em atos concretos, temos de enfrentar um insuperável dualismo metodológico.

No estado atual de nosso conhecimento, os postulados fundamentais do positivismo, do monismo e do panfisicalismo são meros postulados metafísicos, desprovidos de qualquer base científica, sem sentido e sem utilidade na pesquisa científica. A razão e a experiência nos mostram dois mundos diferentes: o mundo exterior dos fenômenos físicos, químicos e fisiológicos e o mundo interior do pensamento, do sentimento, do julgamento de valor e da ação propositada.

Até onde sabemos hoje, nenhuma ponte liga esses dois mundos. Idênticos eventos exteriores resultam, às vezes, em respostas humanas diferentes, enquanto que eventos exteriores diferentes produzem, às vezes, a mesma resposta humana. Não sabemos por quê. 

Em face desta realidade, não podemos deixar de apontar a falta de bom senso dos postulados essenciais do monismo e do materialismo. Podemos acreditar ou não que as ciências naturais conseguirão um dia explicar a produção de ideias definidas, julgamentos de valor e ações, da mesma maneira como explicam a produção de um composto químico: o resultado necessário e inevitável de certa combinação de elementos. Até que chegue esse dia, somos obrigados a concordar com o dualismo metodológico.  

Ação humana é um dos instrumentos que promovem mudança. É um elemento de atividade e transformação cósmica. Portanto, é um tema legítimo de investigação científica. Como – pelo menos nas condições atuais – não pode ser rastreada até suas origens, tem de ser considerada como um dado irredutível e como tal deve ser estudada. É verdade que as mudanças produzidas pela ação humana são insignificantes quando comparadas com a ação das poderosas forças cósmicas. Do ponto de vista da eternidade e do universo infinito, o homem é um grão infinitesimal. Mas, para o homem, a ação humana e suas vicissitudes são a coisa real. Ação é a essência de sua natureza e de sua existência, seu meio de preservar a vida e de se elevar acima do nível de animais e plantas. Por mais perecível e evanescente que todo esforço humano possa ser, para o homem e para sua ciência é de fundamental importância.” 

Racionalidade e irracionalidade; subjetivismo e objetividade da investigação praxeológica

Toda ação humana é racional. O agente homem sai de um desconforto a fim de se encontrar em situação de maior satisfação. Não se pode classificar que seria essa satisfação maior, vide que a felicidade é subjetiva. Nenhuma pessoa pode dizer o que é o que não é melhor para oura pessoa de forma autoritária. Ninguém pode dizer, por exemplo, que alguém que abdique de melhores condições financeiras para cumprir uma vida seguindo preceitos religiosos ou filosóficos está sendo sua pessoa irracional. O julgamento ditatorial de uma pessoa sob outra que aparentemente está sendo levada por instintos ou impulsos n]ao é correta.  

Os médicos de cem anos atrás que usavam tratamentos errôneos contra o câncer, hoje são vistos como mal informados, pois a ciência avançou e temos medidas mais efetivas para esse problema. No entanto, não podemos dizer, de maneira nenhuma, que os médicos do passado eram menos racionais. Eles usaram de sua racionalidade para cegar no melhor resultado possível com os meios que podiam. A praxeologia, portanto, estuda esses meios usados, não os fins. No futuro, esperamos, os médicos terão melhores resoluções para os problemas de saúde atuais e, que sabe, dirão que os médicos contemporâneos são mal informados. Toda ação é racional e busca a melhor satisfação possível, mesmo que ela não seja realmente a melhor. Tanto uma pessoa religiosa quanto os médicos do assado não podem ser tratados como pessoa menos racionais por terem ideais ou métodos diferentes das percepções que alguém cético ou médicos contemporâneos têm.  

Os ensinamentos da praxeologia e da economia são válidos para qualquer ação humana, independentemente de seus motivos, causas ou objetivos subjacentes. Os julgamentos finais de valor e os objetivos finais da ação humana são dados para qualquer tipo de investigação científica; não são passíveis de maior análise.  

 “A praxeologia lida com os meios e recursos escolhidos para a obtenção de tais objetivos finais. Seu objeto são os meios, não os fins.” 

 Daí tiramos o subjetivismo da praxeologia. Não podemos julgar irracional a ação de uma pessoa, já que todas são racionais e, na interpretação dela, o melhor caminho ara chegar a felicidade. Pela falta de julgamentos, a praxeologia apenas estuda se os meios pelos quais o homem age é o melhor para ele chegar onde deseja. Se juízo de valor, a praxeologia é aplicável a qualquer ação humana, e é, portanto, simplesmente humana. 

Causalidade como um requisito da ação

 O homem pode agir porque quando age espera que seus atos mudem o curso das coisas. Se penso em mover algum objeto na intenção de que ele me satisfaça mais estando no local em que posteriormente coloquei, é porque sabia, de antemão, que o movimento do meu corpo ao azer o movimento para mover o objeto, faria que ele se movesse pra onde eu queria. Eu como porque sei que, ao comer, saciarei minha fome. A ação humana precisa de uma csusalidade, de um meio e um fim, de causa e efeito. Se o mundo não tivesse predeterminações da causalidade, a ação umana não existiria elo fato do caos que reinaria. Não conseguiriam ter expectativa com relação as ações queridas e, portanto, não agiriam. 

O conhecimento sobre as coisas, seja ela estudada pela metafisica ou o que quer que seja, está condicionada a meljores ações e resulados qusndo se entende melhor os fenômenos. A causalidade é um requisito da ação humana e, portanto, entramos num nu circulo vicioso. E por ser um requisito, a praxeologia não pode deixar de dedicar alguma atenção a esse problema fundamental da filosofia. 

6. O Alter Ego

Sobre a utilidade dos instintos

A prova do fato de que só existem duas vias para a pesquisa humana – causalidade ou teleologia – é fornecida pelos problemas relacionados com a utilidade dos instintos. Existem ações que não podem ser estudados pelos métodos das ciências naturais, e outros, que não podem ser classificados como ações propositadas. 

O objetivo absoluto

Autores como Hegel acreditavam que o mundo caminha em direção ao Espirto do Mundo, elevado espiritualmente; Marx, que o o mundo caminha para o fim do Capitalismo e a chegada final do Comunismo; Comte, para um fim tecnolófico positivista.

Mises diz que isso tudo é só especulação da História, e que a Praxeologia é bem mais humilde: ela estuda apenas a ação do “homem mortal” específicas. Quando um homem caça um animal, a Praxeologia entende isso apenas como uma ação para sobreviver, não como algo metafísico com olhar para Deus ou o universo.

O homem vegetativo

Algumas filosofias ditam como o objetivo final da existência humana a não ação. Acreditam, como a filosofia indiana, principalmente budista, que a vida é dor e sofrimento e que a única saída para isso é o fim da ação e da vida. Eles acreditam que viver como plantas é a saída. Para isso a Praxeologia não tem nada a dizer senão penas descrever o que é. A Praxeologia trata da ação humana concreta, não de estados vegetativos.

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