Come and See (Vá e Veja) | O melhor filme de guerra já feito

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Tempo de leitura: 8 minutos

Come And See (Vá e Veja) é o melhor filme de guerra já feito. N]ao pela parte técnica ou pelo plot twist, mas porque ele revela a maldade humana em sua forma mais básica. Dirigido por Elem Klimov, a obra não glamouriza o combate; em vez disso, entrega um retrato psicológico destrutivo do impacto da ocupação nazista na Bielorrússia sob a perspectiva de um garoto.

Resumo

Come and See acompanha a jornada brutal de Flyora, um jovem garoto bielorrusso que, movido por uma inocência patriótica juvenil, decide desenterrar um rifle na areia para se juntar ao movimento de resistência partidária contra a invasão alemã em 1943. 

O que começa como um desejo ingênuo de aventura rapidamente se transforma em uma descida claustrofóbica e sensorial ao mais profundo inferno na Terra. À medida que Flyora testemunha o extermínio sistemático de vilas inteiras, o filme abandona as convenções tradicionais do cinema de guerra para focar no colapso psicológico do protagonista, cuja face envelhece de forma assustadora pelo puro terror.

Contexto histórico

A violência mostrada em Come and See pode parecer extrema, mas não nasceu de um exagero cinematográfico. Pelo contrário: o que aparece na tela é apenas um retrato de uma realidade ainda mais brutal vivida pela Bielorrússia durante a Segunda Guerra Mundial.

Entre 1941 e 1944, quando o território bielorrusso fazia parte da União Soviética, a região foi submetida a uma ocupação nazista devastadora. Essa violência estava inserida em um projeto muito mais amplo de dominação do Leste Europeu, associado ao Generalplan Ost, que previa a transformação de vastas áreas em território de colonização alemã. Para que esse projeto fosse colocado em prática, milhões de habitantes locais deveriam ser expulsos, submetidos ao trabalho forçado ou mortos.

É nesse contexto que se passa Come and See. O filme retrata as brutais operações conduzidas contra os partisans, os guerrilheiros que resistiam à ocupação alemã nas florestas da região. Sob o argumento de combater essa resistência, forças alemãs e unidades colaboracionistas realizavam operações punitivas contra comunidades inteiras acusadas de ajudar os guerrilheiros.

Na prática, isso significava que aldeias inteiras podiam ser cercadas e destruídas. Homens, mulheres, idosos e crianças eram reunidos em celeiros, casas ou outros edifícios, que então eram incendiados. O filme transforma esse tipo de massacre em uma de suas cenas mais perturbadoras. Isso não é feito com invenção apenas a chocar o espectador, mas é uma representação de crimes que realmente ocorreram durante a ocupação.

Centenas de aldeias bielorrussas foram destruídas junto com seus habitantes. Ao final da guerra, a Bielorrússia havia sofrido perdas humanas e materiais em uma escala difícil de imaginar. Comunidades inteiras desapareceram, cidades foram devastadas e uma parcela enorme da população morreu como resultado dos combates, das execuções, dos massacres e das políticas de ocupação.

Parte da força de Come and See vem justamente da proximidade de seus criadores com essa história.

O co-roteirista Ales Adamovich conhecia de perto a realidade retratada no filme. Ainda adolescente, participou da resistência partisan na Bielorrússia ocupada. Décadas depois, transformou essas experiências e os relatos de sobreviventes que ajudou a reunir, nesta obra que ajudou preservar a memória das aldeias destruídas durante a guerra.

Análise crítica

Come And See não é mais um dos filmes de guerra que costumamos ver. Até ontem, eu achava que 1917 era o melhor filme de guerra já feito, mas antes de terminar o que vi hoje, já havia mudado meu ranking. Come And See se chama assim em alusão a passagem de Apocalipse 6, onde são relatados os cavaleiros que trazem guerras, fome e juízo a Terra. Representa bem o que é o filme.

Mas o assunto principal do filme é esse: guerras são feitas quase que exclusivamente por governantes malditos, não por pessoas comuns. Ninguém realmente quer guerra, e mesmo os que possam ir aos campos de batalha, vão por alguns motivos: 1) por obrigação (enorme maioria de insetos que vão ser mortos), 2) por serem psicopatas com sede de morte, 3) ou por já não tem mais nada a perder e buscam o fim de sua vida.

Qual motivo real de qualquer guerra? Matar pessoas por mais terras, como os reis antigos faziam, e alguns estados ainda o fazem. Hoje Rússia, ontem Inglaterra, EUA em qualquer época. Ou outra opção: guerras podem ser feitas por questão religiosa. Mas quem sempre toma decisão dessas guerras? Sempre os malditos políticos, reis, presidentes. A população está sempre a mercê disso tudo.

Mas não quero que isso vire um texto político, só quero dizer que, ao assistir esse filme, perceberá que nenhum cidadão, em nenhum momento, quer guerra. Nem mesmo os comandantes realmente querem. Eles foram provavelmente obrigados, e no processo viraram psicopatas que queriam matar o máximo que poderia, mas que se provaram grandes bebês chorões.

No final das contas, Come And See é um retrato da maldade humana, orquestrada por governantes psicopatas, seguido por pessoas doutrinadas pelo estado a matarem pessoas que não conhecem e nunca lhe fizeram mal. O filme retrata a podridão humana, e o quão poderosos podemos ser, mas ao mesmo tempo o quão patéticos, fracos e sem valor somos.

FAQ

Sim. O roteiro foi coescrito pelo diretor Elem Klimov e pelo escritor Ales Adamovich, baseando-se no livro de memórias de Adamovich e em relatos reais de sobreviventes dos massacres nazistas na Bielorrússia durante a Segunda Guerra Mundial.

O título do filme é uma referência bíblica direta ao Livro do Apocalipse (Capítulo 6), especificamente à abertura dos selos que libertam os Quatro Cavaleiros do Apocalipse (Peste, Guerra, Fome e Morte), onde a frase “Vem e vê” é repetida.

Atualmente, por ser uma obra clássica do cinema soviético, o filme está disponível gratuitamente e com excelente qualidade de restauração no canal oficial da distribuidora Mosfilm no YouTube, além de plataformas de streaming focadas em cinema cult, como o MUBI.

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Economista, entusiasta em teoria econômica e preguiçosos profissional

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