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O Produto Interno Bruto (PIB) é hoje amplamente discutido nas faculdades, empresas e jornais, mas no início dos estudos sobre economia, os economistas não tinham em especial — na grande depressão que ocorreu nos Estados Unidos em 1929 — os economistas não tinham muita informação sobre o que acontecia em toda a economia, porque eles só conseguiam informações parciais sobre tudo. E o que os economistas precisavam era de informações de valor agregado para eles conseguirem entender o que estava acontecendo de forma geral.

Alguns escritores anteriores como François Quesnay, William Petty, Adam Smith e David Ricardo tentaram fazer algo nesse sentido, mas ainda não era nada como a economia moderna vê hoje. E para isso, para a gente chegar nesses valores agregados, a gente denomina PIB os valores produzidos dentro de uma economia. A definição de PIB é exatamente essa: a soma dos valores produzidos dentro de uma economia.

Teorias e Equações do PIB

Existem três definições do que é PIB, e para isso a gente vai usar o exemplo de uma economia que só existem duas empresas: a primeira empresa é uma empresa que produz aço, uma siderúrgica, e a segunda empresa é uma empresa que produz carros, uma empresa de automóveis.

A partir dessas duas empresas, a gente vai ter uma relação que é a seguinte: a empresa 1 produz aço que vende por R$ 100 para a empresa 2. Essa empresa 1 tem R$ 80 de despesa para pagamento de salários e os outros R$ 20 é o lucro dela, e seu faturamento total é de R$ 100. A empresa 2, que monta os automóveis, compra esse aço por R$ 100 e tem despesa de R$ 70 com salários, e aí ela vende os automóveis por R$ 200 . Os R$ 30 que sobram é o lucro dela, e seu faturamento total é R$ 200.

Sobre a ótica do produto, o PIB é o valor dos bens e serviços finais produzidos em uma economia em um determinado período. O PIB vai tratar sempre sobre os bens finais, não os intermediários. Ou seja, a empresa 1 teve faturamento de R$ 100 e a empresa 2 teve R$ 200, mas a empresa 2 comprou o aço (produto intermediário usado para a produção dos carros) por R$ 100, e isso deduz de seu faturamento. No final, temos R$ 100 da empresa 1 + R$ 100 da empresa 2.

A segunda definição é que o PIB é a soma dos valores adicionados à economia em um determinado período. A primeira empresa teve R$ 100 de receita e passou para a segunda, que teve toda a sua operação e vendeu por R$ 200. Então foi R$ 100 da primeira mais R$ 100 que foi adicionado na segunda, dando os mesmos R$ 200.

E por último, a outra definição é que o PIB é a soma das rendas da economia em um determinado período. Somando os salários das duas empresas (R$ 80 + R$ 70, que dá R$ 150) com os lucros das duas empresas (R$ 20 + R$ 30, que dá R$ 50), a gente tem R$ 150 + R$ 50, que também dá R$ 200. Ou seja, pelas três definições a gente tem exatamente o mesmo PIB no final das contas.

Além dessas três formas de olhar, a macroeconomia também usa muito a ótica da despesa para calcular o PIB, que nada mais é do que a soma de tudo o que foi gasto para comprar esses bens finais.

É onde entra aquela clássica equação: Y = C + I + G + NX. Onde o Y é o PIB total, o C é o consumo das famílias, o I é o investimento das empresas em máquinas e estrutura, o G são os gastos do governo e o NX são as exportações líquidas (que é o quanto o país exportou menos o que importou). Essa fórmula é bem útil quando a gente vai montar um painel ou fazer uma análise de dados, porque permite ver exatamente qual setor está puxando o crescimento ou a queda da economia naquele período.

Limitações dos cálculos

Mas tem um ponto importante: a gente não pode olhar só o valor bruto do PIB sem ajustar a inflação, porque senão podemos ser enganados pelo aumento dos preços. Por isso existe a diferença entre PIB Nominal e PIB Real. O PIB Nominal é o cálculo feito com os preços correntes do momento, do jeito que eles estão no mercado. Já o PIB Real desconta a inflação e ajusta os valores para um ano-base, permitindo que a gente veja se a economia realmente produziu mais coisas ou se o PIB subiu só porque os preços das coisas aumentaram.

E por fim, por mais que o PIB seja a principal medida que a gente usa, ele tem limitações bem claras que a gente precisa levar em conta. O PIB não mede a economia informal ou o mercado informal, não conta o trabalho doméstico ou não remunerado, e também não contabiliza a destruição ambiental ou a perda de recursos naturais na hora de somar a produção de riqueza.

Além disso, o PIB mede o tamanho total da economia, mas não mostra como essa renda está distribuída entre as pessoas. Então, o PIB é uma ferramenta essencial para entender a escala e o ritmo do mercado, mas precisa ser analisado junto com outros indicadores para a gente não confundir crescimento de produção com qualidade de vida ou desenvolvimento de verdade.

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