A Paciente silenciosa narra Alicia Berenson, uma artista famosa e reconhecida. É casada e apaixonada por seu marido Gabriel Berenson. Certa noite, a polícia a encontra em sua casa com uma arma na mão, e seu marido em sua frente, amarrado numa cadeira com vários tiros no rosto. Após isso, Alicia foi presa, e nunca mais disse uma única palavra.
Esse é o conceito inicial do livro de Alex Michaelides, que ganhou muitos fãs pelo mundo. Tinha tudo para ser uma ótima trama, e um livro cativante, mas infelizmente, para mim, conseguiu exatamente o contrário.
Resumo de A Paciente Silenciosa
Alicia Berenson é uma artista que pinta quadros e é muito bem reconhecida. Certo dia ela é encontrada em pé, com a roupa sangrando e uma arma na mão. Em frente a ela, seu marido, sentado e amarrado na cadeira, com diversos tiros no rosto.
A polícia a prende, todos pedem sua punição, mas seu advogado consegue que seja enquadrada como alguém com transtornos psicológicos. Não faz o menor sentido uma mulher saudável, apaixonada por seu marido, fazer algo tão bárbaro. Ninguém acredita, nem seus amigos, nem as pessoas que acompanham o caso.
Ela é internada em uma clinica psiquiátrica com vários personagens que são pouco trabalhados. Daí aparece o psiquiatra Theo Faber, que vê as notícias na mídia e tem muita vontade em conseguir tratar da paciente, que há meses não diz uma única palavra. Ele se candidata a vaga e é aprovado.
Daí, começa a trama do psiquiatra que usa diversos métodos para tentar que a paciente fale algo, maioria falhos. Ao longo dessas consultas, vamos conhecendo tanto Theo, quanto Alicia. Como a paciente não diz nada, ele consegue conversar com pessoas próximas à assassina para tentar captar informações. Mas são insuficientes, e ele fica cada vez mais incisivo com ela.
O final do livro é caótico, cheio de reviravoltas, que não irei contar nenhum spoiler aqui, mas que revela algumas coisas e até faz algum sentido. Mas repetindo: apenas algum sentido.
Análise crítica
Gosto muito de futebol, e sempre digo que a eliminação do Brasil na Copa do Mundo em 2022 para a Croácia foi mais dolorosa que o 7×1 para a Alemanha em 2014. Digo isso porque em 2022 fizemos um gol no final do jogo, e daí todos pensamos que já estávamos garantidos na semifinal. Nos últimos lances, tomamos um empate e depois perdemos nos pênaltis. Contra a Alemanha foi diferente: nos primeiros 20 minutos de jogo já tínhamos tomado muitos gols, e não conseguimos ter nenhuma esperança.
Digo isso porque esse livro me deu o mesmo sentimento. Lendo A Metamorfose, de Kafka, eu não tinha nenhuma expectativa, e hoje é um dos meus livros preferidos. A Paciente Silenciosa era uma grande expectativa, tanto por indicações, quanto pela própria sinopse, que achei incrível.
O problema se deu em alguns pontos, e eles são a base do livro todo. Os personagens são todos muito fracos. Nenhum deles é bem desenvolvido. Alicia é uma zé ninguém. Tanto Theo quando Alicia não são tratados de forma a entendermos as motivações deles. Quando vemos Thanos em Os Vingadores, sabemos algo sobre sua infância, que foi construída na guerra, que ele era um guerreiro, e que foi condicionado a entender que ele mesmo tinha uma solução para o universo.
Mesmo discordando, todos entendemos onde ele começou e onde quer chegar. Em A Paciente Silenciosa não dá pra saber nada. O autor não sabe o que está fazendo, os personagens não sabem onde estão e quem lê não onde está chegando.
Não dá pra saber o motivo dela ter matado o marido. No final é revelado, mas só depois de mais de 250 páginas de vários acontecimentos meio desconectados, que não chegam a nada.
No final, digamos que a motivação tenha sido o mal cheiro do marido dela, por exemplo. Mas em nenhum momento da obra foi falado sobre ela detestar mal cheiro ou o marido dela ter algum problema assim. Foi simplesmente jogado, e temos que aceitar. Parece que o autor escreveu várias coisas meio aleatórias, no final queria arrumar um final envolvente e inventou qualquer coisa.
