Resenha: A Paciente Silenciosa – Alex Michaelides

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Tempo de leitura: 7 minutos

A Paciente silenciosa narra Alicia Berenson, uma artista famosa e reconhecida. É casada e apaixonada por seu marido Gabriel Berenson. Certa noite, a polícia a encontra em sua casa com uma arma na mão, e seu marido em sua frente, amarrado numa cadeira com vários tiros no rosto. Após isso, Alicia foi presa, e nunca mais disse uma única palavra.

Esse é o conceito inicial do livro de Alex Michaelides, que ganhou muitos fãs pelo mundo. Tinha tudo para ser uma ótima trama, e um livro cativante, mas infelizmente, para mim, conseguiu exatamente o contrário.

Resumo de A Paciente Silenciosa

Alicia Berenson é uma artista que pinta quadros e é muito bem reconhecida. Certo dia ela é encontrada em pé, com a roupa sangrando e uma arma na mão. Em frente a ela, seu marido, sentado e amarrado na cadeira, com diversos tiros no rosto.

A polícia a prende, todos pedem sua punição, mas seu advogado consegue que seja enquadrada como alguém com transtornos psicológicos. Não faz o menor sentido uma mulher saudável, apaixonada por seu marido, fazer algo tão bárbaro. Ninguém acredita, nem seus amigos, nem as pessoas que acompanham o caso.

Ela é internada em uma clinica psiquiátrica com vários personagens que são pouco trabalhados. Daí aparece o psiquiatra Theo Faber, que vê as notícias na mídia e tem muita vontade em conseguir tratar da paciente, que há meses não diz uma única palavra. Ele se candidata a vaga e é aprovado.

Daí, começa a trama do psiquiatra que usa diversos métodos para tentar que a paciente fale algo, maioria falhos. Ao longo dessas consultas, vamos conhecendo tanto Theo, quanto Alicia. Como a paciente não diz nada, ele consegue conversar com pessoas próximas à assassina para tentar captar informações. Mas são insuficientes, e ele fica cada vez mais incisivo com ela.

O final do livro é caótico, cheio de reviravoltas, que não irei contar nenhum spoiler aqui, mas que revela algumas coisas e até faz algum sentido. Mas repetindo: apenas algum sentido.

representação de a paciente silenciosa alicia berenson e theo

Análise crítica

Gosto muito de futebol, e sempre digo que a eliminação do Brasil na Copa do Mundo em 2022 para a Croácia foi mais dolorosa que o 7×1 para a Alemanha em 2014. Digo isso porque em 2022 fizemos um gol no final do jogo, e daí todos pensamos que já estávamos garantidos na semifinal. Nos últimos lances, tomamos um empate e depois perdemos nos pênaltis. Contra a Alemanha foi diferente: nos primeiros 20 minutos de jogo já tínhamos tomado muitos gols, e não conseguimos ter nenhuma esperança.

Digo isso porque esse livro me deu o mesmo sentimento. Lendo A Metamorfose, de Kafka, eu não tinha nenhuma expectativa, e hoje é um dos meus livros preferidos. A Paciente Silenciosa era uma grande expectativa, tanto por indicações, quanto pela própria sinopse, que achei incrível.

O problema se deu em alguns pontos, e eles são a base do livro todo. Os personagens são todos muito fracos. Nenhum deles é bem desenvolvido. Alicia é uma zé ninguém. Tanto Theo quando Alicia não são tratados de forma a entendermos as motivações deles. Quando vemos Thanos em Os Vingadores, sabemos algo sobre sua infância, que foi construída na guerra, que ele era um guerreiro, e que foi condicionado a entender que ele mesmo tinha uma solução para o universo.

Mesmo discordando, todos entendemos onde ele começou e onde quer chegar. Em A Paciente Silenciosa não dá pra saber nada. O autor não sabe o que está fazendo, os personagens não sabem onde estão e quem lê não onde está chegando. 

Não dá pra saber o motivo dela ter matado o marido. No final é revelado, mas só depois de mais de 250 páginas de vários acontecimentos meio desconectados, que não chegam a nada.

No final, digamos que a motivação tenha sido o mal cheiro do marido dela,  por exemplo. Mas em nenhum momento da obra foi falado sobre ela detestar mal cheiro ou o marido dela ter algum problema assim. Foi simplesmente jogado, e temos que aceitar. Parece que o autor escreveu várias coisas meio aleatórias, no final queria arrumar um final envolvente e inventou qualquer coisa.

Em resumo, o livro é preguiçoso e ao mesmo tempo exaustivo. É uma mistura de leitura fácil com um enorme esforço em continuar motivado a assistir. Não tem desenvolvimento, os personagens são fracos e o plot do final, apesar de legal, é mal desenvolvido, muito rápido, e que não salva a obra.  Se eu fosse reescrever, não teria usado mais que 30% do que o autor usou pra “desenvolver” essa massaroca de ideias.
 
Para não ser tão duro, ao final se entende a motivação de Theo, mas é um plano tão imbecil e mal planejado que chega ser engraçado de tão patético.
 
Nas resenhas que fiz dos livros Nunca Minta e A Empregada, ao final eu disse que valia a pena para gastar o tempo, e que nem todo livro ter que ser uma obra prima de Dostoévski ou Tolstoi. Mas esse é especial: não vale nem se quiser passar o tempo. Te garanto que ler até metade desse livro vai te fazer voltar aqui e dizer que eu estava certo.
 
Talvez minha chateação com ele seja porque, como disse no exemplo das Copa do Mundo do Brasil, ele me entregou muita expectativa, e na mesma medida, não me entregou nada. Como sempre digo, a expectativa é a mãe da frustração.
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Nixon

Economista, entusiasta em teoria econômica e preguiçosos profissional

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