O mercantilismo consistiu num conjunto de proposições, ideias e práticas económicas que os Estados absolutistas europeus implementaram em conjunto com a burguesia comercial para aumentar o seu poder económico e político. Os Estados concediam privilégios e monopólios económicos aos grandes burgueses para que estes apoiassem politicamente os regimes absolutistas, perpetuando assim o seu poder.
Características do Mercantilismo
Mesmo entendendo que este foi um processo “natural”, sem ter sido criado por uma única pessoas, mas sim por vários pensadores e fomentado por vários poderosos de sua época, existem alguns pilares fundamentais para compreender o mercantilismo.
Intervencionismo Estatal
Não seria possível que as Grandes Navegações fossem realizadas sem uma grande quantia de dinheiro e proteção. para isso, era necessário forte intervenção do Estado nas questões económicas centrais. Os monarcas absolutistas garantiam o monopólio das navegações a determinados burgueses. Ao serem apoiados pelos absolutistas, os burgueses monopolistas permitiam que toda a engrenagem se mantivesse centralizada no poder estatal.
Metalismo
Para que o sistema funcionasse, era necessário um meio de troca comum que substituísse o escambo feudal. A riqueza passou a ser baseada na acumulação de metais preciosos, como o ouro e a prata. Quanto mais riquezas um Estado acumulasse, mais próspero e forte politicamente se tornaria.
Balança Comercial Favorável
As grandes navegações, fomentadas pelos Estados e levadas a cabo pela burguesia, buscavam exportar mais do que importar. O objetivo era adquirir especiarias e vendê-las mais caro na Europa, garantindo assim que a balança comercial fosse sempre favorável e o Estado enriquecesse continuamente, num processo balizado pelo metalismo.
Tipos de Mercantilismo
O mercantilismo não foi um sistema único e homogéneo, apresentando diferentes características. Isto porque o período se estendeu por alguns séculos, e nesse período tiveram varias formas de o desenvolver (e de certa forma até hoje temos impactos disto na chamada Divisão internacional do Trabalho).
Mercantilismo Metalista (Bulionismo)
Focado na extração direta de ouro e prata de países colonizados. Teve como principais expoentes a Espanha e Portugal, com forte exploração na América, como ocorreu na região de Minas Gerais.
Mercantilismo Comercial
Este foi focado na exploração monopolista de especiarias no caminho para as Índias. Os comerciantes adquiriam estes produtos na Ásia e vendiam-nos na Europa por valores exorbitantemente maiores. O Caminho das Índias foi exatamente isso, onde Vasco da Gama, saindo de Lisboa, fez uma expedição importantíssima, que concretizou esta rota marítima.
Mercantilismo Industrial
Baseava-se na exploração de mão de obra escrava ou barata nas colónias para extrair matérias-primas, que eram depois devolvidas para a Europa. Lá, produziam-se produtos manufaturados com maior valor acrescentado, mantendo o monopólio industrial global. Este modelo reflete-se até aos dias de hoje: as nações europeias desenvolvidas possuem mão de obra especializada e produtos de alta tecnologia muito mais caros, enquanto os países mais ou menos recém-independentes mantêm-se predominantemente agrários e com graves problemas de industrialização.
O mercantilismo foi o sistema anterior ao capitalismo atual, mas as suas bases fundamentaram a evolução capitalista até aos dias de hoje. A teoria das Vantagens Comparativas foi desenvolvida inicialmente por Turgot, mas sistematizada por David Ricardo. E isso se deu tanto na época contemporânea ao Capitalismo Comercial, mas até os dias atuais com a Divisão internacional do Trabalho. Entender o mercantilismo não é apenas estudar um período histórico distante, mas sim compreender a razão pela qual o sistema económico mundial contemporâneo funciona da forma que conhecemos.