O capitalismo foi desenvolvido ao longo de um longo processo de desestruturação do sistema feudal e que foi se consolidando ao longo de diferentes fases. Entender como surgiu o capitalismo é o mais importante antes de a gente entender o que é o capitalismo.
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ToggleFim do Feudalismo
A desestruturação do feudalismo começou na Baixa Idade Média, entre os séculos XIII e XV, quando as propriedades feudais — que na época funcionavam com um sistema de escambo, onde os produtores rurais pagavam pela terra com trigo, produtos ou serviços para o rei ou para o senhor feudal — passaram a pagar salários para os trabalhadores e fazendeiros.
A partir disso, começaram a existir comerciantes e artesãos que faziam trocas por dinheiro. Começou a circular não ainda o papel-moeda, mas as moedas de metal.
Com essa troca de produtos por valores monetários, os comerciantes começaram a obter o que alguns economistas, como Adam Smith, chamariam de excedente. A partir disso, foi se formando uma nova classe social composta por comerciantes e artesãos, mais conhecida como a burguesia. O que aconteceu, na prática, foi a troca do valor de uso das mercadorias pelo valor de troca.
Mercantilismo e o Capitalismo Comercial
O próximo passo foi o capitalismo comercial, também conhecido (erroneamente) como Mercantilismo. Para expandir o comércio, os burgueses fortaleceram e incentivaram a formação dos Estados Nacionais, que protegiam o comércio nacional, concediam benefícios a esses comerciantes mais fortes e impulsionavam as Grandes Navegações. Foi quando começou a colonização na América, na África e na Ásia pelo sistema mercantilista.
A partir disso, começou a haver uma acumulação primitiva de capital pelas potências europeias. No terceiro capítulo de A Riqueza das Nações, Adam Smith explica que o que limita a divisão do trabalho e impede que o comércio evolua é a extensão do mercado. Ou seja: se você não consegue vender para outros locais e não acha novos compradores, você não consegue expandir sua acumulação de capital.
Foi justamente por isso que os burgueses apoiaram os Estados Nacionais nesse período, para que eles financiassem as Grandes Navegações, que eram empreendimentos caros. Com a expansão dos mercados, os grandes impérios impulsionaram seu processo de colonização em lugares distantes porque era financeiramente rentável: a burguesia era apoiada pelos Estados, e os Estados financiavam a burguesia.
Revolução Industrial
Entre os séculos XVIII e XIX, ocorreu a famosa Revolução Industrial. A acumulação de capital permitiu que fossem criados muito mais produtos com uma mesma base de trabalhadores, que ficaram conhecidos como o proletariado. A palavra “proletário” vem de próle: pessoas que precisavam sustentar seus filhos e que viviam basicamente para o básico.
No livro As Seis Lições, Ludwig von Mises explica que as pessoas que foram para as cidades durante a Revolução Industrial viviam em situações ruins, mas, antes disso, nas fazendas, elas viviam em condições ainda piores. Embora existissem casos pontuais de crianças sequestradas no campo para trabalhar nas fábricas, em geral as pessoas iam para as cidades buscando condições de vida melhores. Mises cita literaturas da época mostrando que a situação nas fábricas era dura, mas não muito diferente do campo — com a vantagem de que, nas grandes cidades, os trabalhadores pelo menos tinham um pub para tomar uma cerveja. A vida não era boa em lugar nenhum, mas o campo não era um paraíso.
O processo de acumulação capitalista nesse período ocorreu a partir da concentração de renda da burguesia sobre a massa de proletários que viviam em condições precárias, tudo financiado ou apoiado pelos grandes Estados Nacionais. Essa Primeira Revolução Industrial foi palco do interesse de grandes economistas, como Adam Smith em A Riqueza das Nações e Karl Marx em O Capital, que tentou desenhar todo esse processo de acumulação capitalista.
Capitalismo Financeiro
Nos séculos XX e XXI, chegamos ao capitalismo financeiro e tecnológico. A Segunda Revolução Industrial, no século XX, foi marcada pelo petróleo, motor a combustão e indústria automobilística. Em seguida, veio o capitalismo financeiro e monopolista, com grandes mercados financeiros, passando por grandes solavancos como a Crise de 1929 e a Crise de 2008.
Mais tarde, a Terceira Revolução Industrial (a revolução tecnológica) reordenou a economia global com inovações em informática, telecomunicações e biotecnologia. Hoje, estamos passando pela Quarta Revolução Industrial: a Indústria 4.0. Ela representa a transformação digital da produção e da sociedade, unindo o mundo físico, digital e biológico com inovações tão impactantes que ainda não sabemos exatamente onde vão dar.
Considerações finais
O capitalismo passou por grandes fases, ainda passa por profundas transformações e não sabermos exatamente onde vai parar.
Muitos economistas ao longo da história disseram que o capitalismo seria o “fim da história”, ou seja, a evolução máxima da organização social humana. Não foi o que aconteceu. Ainda não sabemos se vamos parar em uma tecnocracia, em um estado mundial fascista, em um anarcocapitalismo superlivre com o Bitcoin sendo um hedge global, ou se as coisas simplesmente vão continuar como estão.
Não sabemos onde o mundo vai dar, mas entender como o capitalismo surgiu é fundamental para compreendermos onde estamos e para onde possivelmente vamos no futuro.
E você, acha que estamos caminhando pra uma tecnocracia, um estado totalitário ou um ancapistão? Deixe seu comentário aqui abaixo pra conversarmos.