O Mercantilismo e Capitalismo Comercial tiveram atuação conjunta e indissociável na história econômica. O capitalismo comercial, também conhecido (de forma equivocada) como Mercantilismo, é um período histórico que balizou a transição entre o feudalismo (ou feudalismo tardio) e o capitalismo industrial (ou pré-capitalismo). Tratou-se de uma fase de profundas transformações na forma como a sociedade se organizava econômica e socialmente.
Para o processo do Capitalismo Comercial funcionar, era indissociável que existisse bases teóricas e práticas, que ficou conhecido como Mercantilismo. Vou dar uma visão histórica do que foi o Capitalismo Comercial, e depois sobre o que era o Mercantilismo.
Capitalismo Comercial
Durante o feudalismo, a economia baseava-se nas trocas diretas (escambo) e numa subserviência política e econômica muito clara entre dois grupos principais: os senhores feudais e os vassalos (ou camponeses). O senhor feudal oferecia proteção e o direito ao uso da terra, enquanto os vassalos, que muitas vezes agiam também como mercenários, e os camponeses trabalhavam no campo e prestavam serviços militares em troca dessa proteção. Era um sistema de organização social altamente específico, fundamentado na proteção após os vários problemas que se seguiram à queda de Roma.
No entanto, ocorreu uma transição crucial no momento em que alguns artesãos e comerciantes começaram a comercializar produtos nos arredores dos feudos e dos reinos. Através destas feiras e mercados, começaram a trocar mercadorias não por outros produtos, mas por um meio de troca comum: os metais preciosos.
Esta nova classe, a burguesia, começou a acumular riqueza e capital de forma independente. Com o aumento do seu poder económico, a sociedade transitou gradualmente de um sistema de escambo para uma economia monetária e mercantil, baseada no uso de moedas.
A ascensão da burguesia gerou a necessidade de expandir os mercados. Como aponta Adam Smith no terceiro capítulo de A Riqueza das Nações, a limitação da divisão do trabalho é imposta pela limitação do próprio mercado. Assim, era preciso expandi-lo através das Grandes Navegações. Contudo, estas expedições marítimas eram extremamente dispendiosas, exigindo o apoio político e financeiro dos recém-formados Estados Nacionais.
Foi neste contexto que se formou uma aliança mútua: a burguesia enriquecia e financiava os Estados Nacionais absolutistas para que não voltassem a ser pequenos reinos fragmentados, enquanto os Estados Absolutistas garantiam monopólios comerciais aos burgueses. Esta troca de apoios políticos e económicos resultou num forte protecionismo, com a imposição de elevadas barreiras alfandegárias para dificultar a entrada de mercadorias de possíveis concorrentes europeus.
O objetivo central deste ciclo era que a burguesia trouxesse cada vez mais dinheiro e riquezas para os Estados Absolutistas, permitindo-lhes sustentar o seu poder e continuar a favorecer a burguesia, num processo de retroalimentação contínua.
Mercantilismo
Em suma, o mercantilismo é a organização econômica e social, onde em ideias e práticas protecionistas e monopolistas, que fundamentou todo o processo do capitalismo comercial.
Existem ainda conceitos centrais para entender o mercantilismo. O Metalismo a base social do mercantilismo estipulava que a riqueza e o poder de uma nação não residiam mais na posse de terras (como no feudalismo), mas sim na quantidade de metais preciosos acumulados. A Balança Comercial Favorável impulsionada pelas navegações, o objetivo era vender produtos (muitas vezes especiarias trazidas do exterior) muito mais caros do que o custo de produção ou aquisição, mantendo a entrada de riquezas superior à saída.
Portanto, o Mercantilismo não foi apenas uma época, mas sim o sistema económico, político e social que estabeleceu as bases, ideias e práticas para o capitalismo tal como o conhecemos hoje.