Tempo de leitura: 7 minutos
O capitalismo comercial, também conhecido (erradamente) como Mercantilismo, é um período histórico posterior ao feudalismo que se caracterizou principalmente pela expansão marítima e pelo surgimento da burguesia.
Origem do Capitalismo Comercial
O sistema capitalista desenvolveu-se ao longo de alguns séculos, iniciando-se ali pelos séculos XVI até meados do século XVIII, quando ocorreu a transição do pré-capitalismo para o capitalismo industrial.
Entretanto, falando sobre o pré-capitalismo, ele surgiu num período também chamado de feudalismo tardio, em que não existia exatamente um capitalismo tal como o entendemos hoje.
Esse feudalismo tardio foi uma modificação do sistema feudal anterior, no qual o escambo e a servidão ainda constituíam as bases fundamentais do sistema. No entanto, o que marcou esse feudalismo tardio (ou pré-capitalismo) foi o aumento da utilização do metalismo, ou seja, o uso de metais preciosos para precificar os produtos. Com isso, o escambo deixou de ser a principal forma de trocas econômicas, passando a dar lugar às trocas monetárias convertidas em moedas de metais preciosos.
Mercantilismo no Capitalismo Comercial
Para que este processo ocorresse, foi fundamental o a sistematização do modelo econômico, que ficou conhecido como Mercantilismo. Nele, a atividade comercial dos pequenos burgueses e artesãos nos arredores dos feudos, castelos e muralhas. E a partir disto, o comércio começou a assumir uma importância muito maior para aquela sociedade. Esse comércio começou a gerar excedentes e, com o aumento da divisão do trabalho, ainda que nos seus níveis mais primários, surgiu a necessidade de expansão desse mercado.
Para que ele fosse expandido, como afirma Adam Smith no terceiro capítulo de A Riqueza das Nações, a limitação da divisão do trabalho é a limitação dos mercados. Nesta transição, os senhores feudais, ou os reis, deixaram de ser apenas uma figura de proteção, passando a ter também poderes políticos que queriam expandir, assim como os pequenos burgueses e os artesãos. E assim existiu uma simbiose para que esse processo fosse evoluindo.
Para que ele fosse expandido, como afirma Adam Smith no terceiro capítulo de A Riqueza das Nações, a limitação da divisão do trabalho é a limitação dos mercados. Nesta transição, os senhores feudais, ou os reis, deixaram de ser apenas uma figura de proteção, passando a ter também poderes políticos que queriam expandir, assim como os pequenos burgueses e os artesãos. E assim existiu uma simbiose para que esse processo fosse evoluindo.
Expansão Marítima
A expansão marítima e a divisão internacional do trabalho entraram em cena neste ponto. Como havia a necessidade de expansão destes mercados para outros locais, a forma mais inteligente e produtiva de o fazer era através da expansão marítima, através da qual se conseguiriam encontrar outros mercados fora da Europa, como a Ásia, África e as Américas.
Para tal, as embarcações tinham custos elevados e alguns artesãos não conseguiriam fazê-lo por si sós; precisavam de grandes somas de dinheiro, que foram financiadas pelos agora Estados Nacionais.
Estes Estados Nacionais resultaram de um processo histórico que vinha desde a queda de Roma, no início da Baixa Idade Média, e que culminou no surgimento dos feudos e dos pequenos reinos, os quais posteriormente se desenvolveram nos Estados Nacionais, tais como França, Alemanha (posteriormente), Inglaterra, Itália, entre outros, todos derivados da queda de Roma e do Império Romano. Esses Estados Nacionais foram fomentados pela burguesia e, por sua vez, financiavam-na para que ela conseguisse realizar essas expansões marítimas.
Lembra-se que mencionei que o sistema do metalismo era o que fundamentava a economia desta sociedade? Para que esta sociedade enriquecesse, compreendia-se que necessitavam de mais metais preciosos. E para que existissem mais metais preciosos, eles precisavam de mais mercadorias. Contudo, essas mercadorias, tais como insumos agrícolas, especiarias e outros materiais fundamentais para a sociedade europeia, não eram totalmente preenchidas na própria Europa, ou eram mais fáceis de encontrar noutros países.
Na Índia, por exemplo, eles obtinham as especiarias (como temperos), que eram muito importantes e caras na época. Então, as navegações iam para esses locais, compravam esses produtos e voltavam para a Europa, vendendo-os por preços muito mais altos, de forma a compensar toda a navegação. Na África, exportavam também insumos agrícolas, mas igualmente muito ouro e metais preciosos.
No Brasil e na América Latina (e nas Américas no geral), de imediato foi tudo: tanto o ouro (de Minas Gerais, no Brasil), quanto insumos agrícolas (em todo o Brasil, e no que hoje conhecemos como o Centro-Oeste e Nordeste brasileiros) e várias outras coisas. E todas essas expansões marítimas foram fundamentadas pelo imperialismo ou colonialismo europeu, que, ao chegarem à Ásia, mas principalmente à África e às Américas, basearam toda essa expansão no escravismo. Escravizavam os povos originários desses locais ou exportavam escravos de África (que já eram escravos de outros senhores de lá), ou mesmo os roubavam/sequestravam.
Divisão Internacional do Trabalho (DIT)
Todo este processo do Capitalismo Comercial culminou naquilo que David Ricardo chamou de vantagens comparativas, mas que nós entendemos hoje, de uma forma concreta, como a Divisão Internacional do Trabalho (DIT). Foi entendido que a Europa não tinha campos agrícolas e mão de obra barata suficientes para realizar todo esse processo de aumento de riqueza dos Estados Nacionais na sua totalidade na própria Europa.
Assim, nos países colonizados, escravizavam as pessoas e faziam todo este processo de produção, não desenvolvendo nesses locais a indústria ou impulsionando a existência de uma revolução industrial (um aumento do capitalismo nesse local).
É exatamente isso que acontece desde o Capitalismo Comercial até hoje em dia: a América Latina e a África são ainda fundamentalmente agrárias e exportadoras de insumos básicos, enquanto a Europa, os Estados Unidos e alguns países na Ásia (mais desenvolvidos) trabalham com produtos manufaturados muito mais complexos.
Isto tudo é desenvolvido na obra de David Ricardo, no qual se explica o conceito das vantagens comparativas, afirmando que, na teoria, seria benéfico para ambos os países se um produzisse apenas insumos e o outro produzisse manufaturas, por exemplo, se um produzisse laranjas e o outro madeira, consoante a produtividade de cada país.
Considerações finais
É claro que o Ricardo fê-lo teoricamente de uma forma que os economistas neoclássicos interpretaram como algo muito romântico para a economia. No entanto, na prática, do Capitalismo Comercial até o atual, o colonialismo europeu não foi tão simples assim e envolveu escravatura predominante e o roubo das terras de outros continentes e países, sendo muito difícil acabar com esse sistema. As expansões marítimas começaram no século XVI e apenas terminaram nalguns países no século XX, com a independência de alguns países europeus.
O Brasil e os Estados Unidos, por exemplo, tiveram a sua independência há alguns séculos, mas países europeus e na América Central só o conseguiram há menos de 70 ou 50 anos. Isso até hoje traz consequências económicas de toda esta exploração.